sábado, 24 de maio de 2014

7 Quadros 7 contos

Conto I
Qualquer uma destas obras não foi escolhida ao acaso. Qualquer uma destas obras representa para mim um momento, uma pessoa, uma emoção ou sentimento. Cada uma destas obras foi-me dada a conhecer por uma outra pessoa, que por razões diferentes marcou a minha vida e até hoje ficou na minha memória, para quiçá um dia narrar uma história de vida.

 “ O Grito” de Munch, foi me dado a conhecer num dia cinzento, chuvoso e frio. Estava eu enrolada numa manta recostada no sofá, a deliciar-me com uma caneca de chocolate quente, quando o telemóvel dá sinal de ter recebido uma mensagem que dizia, “ vedrà l´email”? Liguei o computador, abri o email e fui ver o que me tinham enviado. Ali estava ele, o email de um amigo que reside em Impéria, Itália. Dizia ele, que em Impéria o céu estava cinzento, chovia e fazia frio, perguntava se queria acompanhá-lo num chocolate quente. Tinha um anexo. Abri o anexo e estava Munch, “O Grito”. A legenda dizia, estou como o dia, apetece-me gritar, grita comigo! E assim, aquele quadro que eu já tinha visto várias vezes na internet, de um autor que pouco me dizia, entrava na minha vida através de alguém que se encontrava num estádio cinzento como o meu, e pedia-me para gritar com ele. E eu gritei! E guardei na minha memória o grito. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


O vento sorri
 Do jacarandá que cresce
 Na alameda


Na cidade sou
Como o rio ao pôr-do- sol
A adormecer

Quando cai a flor
E o cheiro perde-se
A cidade chora

Pela noite nua
Beijos tocam as calçadas
Que o sol queimou


Emoções do momento...





quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

NASCEU UMA FLOR

Nasceu uma Flor


Dia 12 de Fevereiro de 1964, numa noite fria de quarta-feira de cinzas, meia-noite e meia, num quarto humilde mas quente em afectos, os gritos dos foliões não abafavam a dor da mulher que paria à luz dum candeeiro a petróleo. Entre água a ferver numa panela de ferro que lentamente borbulhava nas brasas duma chaminé, água derramada numa usada bacia de esmalte branca, molhavam-se as toalhas de pano branco de linho que serviam para limpar e acariciar a mãe e a criança, a cama de ferro servia de encosto aos empurrões da mãe e puxões da velha parteira que fazia nascer uma flor, deu-se o milagre do nascimento.

Essa flor brilhou algures num lugar distante da cidade, numa aldeia do Alentejo profundo.
Foi tudo tão rápido. Na cidade cresceu, fez-se menina, feliz, sempre cheia de risos. Na responsabilidade tornou-se mulher, menos risos, uns dias mais outros menos feliz, fez amizades, amou, casou e foi mãe, aos seus rebentos rodeou-os de amor, muito amor e cuidados de alimento e luz intensa. Entretanto o mundo não parou de girar, e girou, girou, girou e um dia acordou num mundo diferente, nem melhor nem pior, mas diferente. Aprendeu que o desconhecido assusta, que a noite tens ruídos estranhos, que a solidão aumenta com a incerteza, que crescemos na sombra, na dor, no riso. Confiante na flor em que se transformara e na diferença que existe no mundo, o que mais a marcou foi saber que o Universo cresce a cada segundo e a enche de esperança. Passou a dar mais importância às coisas que são importantes, passou a dar mais valor às preciosidades do coração, viu mais do que olhou até então.

Em quem ama deposita amor, confiança, partilha e aceita as diferenças. Os que a amam retribuem com mais amor, são um pilar bem fortalecido desde os alicerces.
Mais um ano, mais uma etapa, mais uma dor nos ossos, mais uma dor na cabeça, mais uma ruga, mais um cabelo branco. Um dia com um sorriso outro dia com uma lágrima, um dia acordar entre lençóis quentinhos outro dia não dormir a pensar até a cabeça iluminar-se de faíscas. Os anos passam e quase não se dá por eles.

Quase me esqueço que faço 47 anos não fosse o meu melhor amigo Alzaimer lembrar-me com um valente empurrão e gritar-me aos ouvidos, FAZES ANOS!!!. Então anotei na minha secretária em letras garrafais; DIA 12 DE FEVEREIRO FAZES 47 ANOS SUA TONTA, ANOTA E CONVIDA QUEM SE LEMBRA E GOSTA DE TI PARA BRINDAR!!!! OK????

FRÁGEIS MAS FIRMES E DECIDIDOS A FICAR A CRESCER

Primeiro dia de Primavera

Acordei com os passarinhos a cantar na minha janela, estavam poisados nos ramos da árvore que dá sombra à janela do meu quarto. No Verão a sombra estende-se por toda a rua e principalmente pela janela do meu quarto deixando-a com uma cortina cinzenta. De Inverno a árvore despe-se e os ramos nus com uns tons lindíssimos de terra, castanho e verdes, brincam com os pequeninos raios de sol que teimam em espreitar timidamente. Mas a minha árvore, digo minha porque sempre a vi a li e já tem alguma idade, fica linda na Primavera. As folhas começam a despontar nos ramos que outrora se enchiam de musgo, agora adornadas, pequenas, frágeis mas firmes e decididas a ficar e crescer.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

LEVITAÇÃO


Um dia!

Um dia quando o céu se abrir. Um dia quando o sol espreitar pelas vidraças da minha janela. Um dia quando me sentir quentinha, vou abrir a janela e os raios de sol vão espreitar para dento do meu quarto. Aquecer a minha cama e nela vais-te deitar ao meu lado. Abraças-me, beijas-me, sentes-me, vai ser um nunca acabar de emoções

EXPLOSÃO

Dias radicais

Hoje acordei com o sol a bater na minha janela. Há muito que bani os estores, logo sinto o fresco, vejo o nevoeiro que se levanta e a noite que se deita, mas é o sol que mais me anima a alma. Os cortinados transparentes adornados por uns outros mais opacos não são suficientes para me tirar o melhor que me deram. Vida. Vida, aquecida por um calor natural e brilhante, logo que o sol desperta eu desperto também, a minha cabeça levanta-se em direcção à luz como que a beber. É o meu mais precioso alimento, devo ter sido réptil noutra reencarnação. Depois de ter feito uns bons minutinhos de ronha, contorço-me na cama, estico-me e oiço os ossos a estalarem, sinal de crescimento, dizia a minha mãe quando eu menina, agora é mais sinal de ferrugem, mas para a dita também há remédio, um pouco de uma boa pomada e passa nesse dia.
Devia estar bem assim, devia ser sempre assim, se não for melhor que seja como um destes dias, mas há dias em que é diferente, não consigo evitar e lá vou eu, desço a pique. Sabes daqueles corajosos que se lançam de uma ponte presos a um elástico? Pois, eu não sou dessas corajosas, mas de vez em quando apanham-me desprevenida, largam-me o elástico e, sem eu dar por isso, pimba, lá vou eu. Depois é agarrar-me a esse mesmo elástico e tentar subir, estás a ver já o resultado, subir por um elástico, é quase humor negro. Mas depois de algum tempo a esforçar, suar, bracejar, contorcer-me, gritar de emoção forte, pedir ajuda a Deus, Santos, Mãe, Pai, Amigos, tudo, todos, Tios, e entidades imaginárias, pronto, recupero.

Já vai algum tempo que pratico este desporto radical mas aos quarentas anos não é a mesma coisa de quando tinha vintes, não deixa de ser emocionante e ao mesmo tempo desafiante. Quando tenho alguém de cima a olhar ver-me subir, subo o elástico com outra motivação. Assim passam mais uns dias da minha vida.

MEU QUERIDO

Meu querido...

Soa mal mas sabe bem dizer... não sei como te posso dizer o quanto tenho saudades tuas, tenho sede de ti, até porque não fui capaz de saciar a minha sede durante os dias que estivemos juntos. Dias esses que foram como uma gota de água num oceano profundo e pleno de emoções.
Os dias passam e sinto cada vez mais um aperto no coração e na garganta como se fosse vagueando por um deserto sem água, tórrido de sensações, desgastado pela erosão do tempo, curto mas compacto de múltiplas imagens que passam a um ritmo alucinante.
Tenho alturas breve que me apetece abraçar-te, beijar-te, tocar-te, apertar-te... sentir o teu cheiro, a tua pele macia, bem... o que mais posso dizer.
Não sei quanto tempo terei de resistir à distância, à voz, às gargalhadas, à boa disposição constante, às palavras meigas, ao sotaque, ao apelo constante da tua imagem na minha cabeça, ao toque sempre lembrado das tuas mãos na minha pele, ao teu sentir em mim, dentro e quente, sempre e sempre...


Da tua e sempre que te adora

flor roxa, amarela, branca...
A cor que tu quiseres