Da paixão pelo que via e ouvia, dos testemunhos das gentes locais e das estórias contadas pelas gentes da terra sobre as suas vivências, do som do vento da planície, das cores dos campos secos, do restolho, do azul do céu, da gastronomia e do cante alentejano, nasceu o livro de Philippe.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Alentejo... "Lignes de Terre et d’Horizon"
Quando fui convidada a participar num livro de poesia escrito em língua francesa, foi pedido que o fizesse em forma de uma pintura, uma pintura sobre o Alentejo. O convite partiu do amigo e escritor francês Philippe Despeysses. O livro de poesia nasceu da inspiração aquando das várias incursões que o autor fez regularmente ao Alentejo profundo.
Da paixão pelo que via e ouvia, dos testemunhos das gentes locais e das estórias contadas pelas gentes da terra sobre as suas vivências, do som do vento da planície, das cores dos campos secos, do restolho, do azul do céu, da gastronomia e do cante alentejano, nasceu o livro de Philippe.
Da paixão pelo que via e ouvia, dos testemunhos das gentes locais e das estórias contadas pelas gentes da terra sobre as suas vivências, do som do vento da planície, das cores dos campos secos, do restolho, do azul do céu, da gastronomia e do cante alentejano, nasceu o livro de Philippe.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
sábado, 24 de maio de 2014
7 Quadros 7 contos
Conto VII
“O beijo” de Klimt. Sim, beijo,
amantes, ouro, composição de cores cromáticas. Fascina-me o ouro, o dourado, e
Klimt sabe-o bem, porque não há obra do pintor que eu não goste. O Beijo, uma reprodução
chinesa perfeita, encontrei-o em casa de um casal jovem que vivia para os lados
do Parque das Nações, um certo dia que tive de me deslocar até lá para levar o
meu filho às explicações de matemática. O rapaz convidou-me a entrar e no hall
de entrada o quadro estava pendurado na parede. Parei e fiquei a olha-lo
fixamente. Tempo demais pareceu-me, até o rapaz me despertar dos meus
pensamento com um, conhece? Gosta? Acordei e respondi-lhe que conhecia e
adorava, mas não tinha imaginado estar num frente a frente com o fabuloso “O
Beijo”. Respondeu-me que poderia adquire um também, porque um site chinês
reproduzia qualquer obra que eu quisesse, e na perfeição como eu estava a ver
ali. Durante muito tempo pensei em mandar reproduzir uma das minhas obras
preferidas, poderia ser aquela ou outra de Klimt, ou até uma outra qualquer,
mas desisti da ideia, para mim o “ O beijo” ou é original ou não é. E Klimt
pintou-o com grande mestria, é o original que eu queria ter e ponto final.
7 Quadros 7 contos
Conto VI
Trabalhei durante 5 anos numa
biblioteca municipal que está localizada num bairro histórico de Lisboa, o
Bairro Alto, perto do pitoresco e elegante bairro do Chiado. No Chiado está
localizada a Faculdade de Belas Artes. A biblioteca tem um acervo riquíssimo em
artes, na tabela classificação decimal universal (CDU) encontra-se classificado
com o número 7, artes; artes visuais, artes plásticas, artes digitais, cinema,
teatro, dança, ou seja, compreende o grande tema. Esta secção é, e sempre foi,
a mais visitada na biblioteca, onde os alunos de artes da faculdade ficam a
ocupar o maior espaço físico por terem à mão de semear os maiores génios e outros,
dos temas dados nos semestres em que as disciplinas se desdobram. Foi nessa
biblioteca que fiz o primeiro contacto com aquele que foi considerado o génio
da Bauhaus e grande influenciador da pintura abstracta lírica, que transmitiu
as emoções através da tela e no abstracto revela uma encenação teatral. Quase
todos os estudantes pediam o mesmo livro, Kandinsky, e todos eles queriam a
“Composição 8”. Ficava fascinada a olhar as cores que me deixavam a pensar o
que o pintor queria dizer com aquelas formas geométricas, numa composição
estética que bailam num espaço de explosão de cores, azuis rodopiam com
amarelos, as cores quentes convivem em harmonia com as cores frias. Foi muito
antes de lançar-me na minha aventura da pintura, parecia que estava a adivinhar
que um dia escreveria sobre a bela “Composição 8” de Kandinsky.
7 Quadros 7 contos
Conto V
Em 1996 comecei a aprender a pintar
num estúdio de pintura porque me sentia com vontade, inspiração e cheia de
certezas que seria bem-sucedida nas minhas vontades. Uns anos mais tarde, e por
indicação de uns amigos, recomecei a as minhas aulas de pinturas mas desta vez a
ter aulas de figura humana com um outro pintor, um aristocrata italiano que
tinha, por razões anarcas e marginais, deixado o curso de medicina e se tinha embrenhado
na floresta Amazónica. Quando um dia me confrontei com a primeira aula de pintura
de figura humana e ele me perguntou o que queria por na tela, disse-lhe que
precisava de um modelo porque só pela imaginação e criatividade não chegaria
lá. Abriu um grande livro de pintura que tinha em cima de uma mesa, ia folheando
devagar para eu escolher um modelo, depois de passar algumas páginas parou numa
que me prendeu o olhar. Uma mulher de costas, semi nua, esperava sentada numa
cama, a predominância das cores atraíram-me de imediato. A Toilete, de Henri de
Toulousse-Lautrec, era esse o modelo. Uma mulher que Lautrec pintou das muitas
vezes que a visitou. O quadro ficou fantástico, era a minha versão, claro que
sempre que eu entrevia, lá estava a supervisão do mestre. Dei-lhe o nome de “A
Espera”. Mais tarde, 2 anos depois, um amigo revelou-me que estava apaixonado,
e que gostaria de oferecer ao amor da sua vida um quadro, e gostaria que fosse
eu a pinta-lo. Explicou-me a história e como tinha conhecido a amada, e de
imediato revi naquele quadro a história dele, e apresentei-lhe a minha “Espera”.
O meu amigo comprou-me o quadro, a minha versão de Lautrec, gostou tanto que
quis ficar com ele, mas ironicamente acabou por o pendurar numa das paredes da
casa, a relação desfez-se, não passou da paixão, quiçá como a versão original
do quadro Lautrec .
7 Quadros 7 contos
Conto IV
No segundo ano do curso de cenografia, numa das aulas de
projecto e oficina, o Professor disse-nos que tinha uma proposta para nos
fazer. A proposta consistia numa obra que teríamos de reproduzir, uma pintura,
e esse quadro, seria “Les Demoiselles d’ Avignon, de Pablo Picasso. Não
tinha muitas certezas do que poderia ser feito com a obra de Picasso. Comecei
pela pesquisa para conhecer a obra, conhecia vários trabalhos do Picasso mas
esta particularmente não conhecia. A primeira surpresa foram as cores que transmitiam
calma, em vez das cores fortes que sabia serem usadas pelo pintor noutras
obras, mas o que mais me surpreendeu foi saber que as meninas eram prostitutas,
e não conseguia encontrar uma relação entre as cores e tema. No entanto, depois
de muitas voltas e reviravoltas com o tema, lá me predispus a avançar com uma
proposta. O resultado foi, as minhas meninas vestidas de vermelho, por me
parecer mais sensual e erótico, a venderem não o corpo, mas a distribuírem as
emoções a quem as quisesse partilhar.
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